segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

NO JARDIM


A história da criação na visão bíblica é encantadora (que me desculpem os cientistas, mas a história do Big bang não tem poesia, não tem graça nenhuma!). Imagine o caos, a terra sem forma e vazia, e então o Criador disse: Haja luz! E houve luz fazendo separação da luz e das trevas, do dia e da noite. E fez separação das águas, criando os mares e a terra. A terra que acolheu sementes de ervas e árvores frutíferas de várias espécies. E criou os lumiares para alumiar a terra, e fez o sol para governar o dia e a lua para governar a noite juntamente com as estrelas. E criou os animais dos mares, as aves para voarem sobre a face da expansão dos céus e plantou um jardim. Do pó da terra criou o homem e o pôs no jardim para o lavrar e o guardar. E da costela do homem formou uma mulher, pois viu que não era bom que ele estivesse só. No jardim eles tinham a experiência da comunhão com Deus e com toda a sua criação. Mas, ao sairem do jardim, foram perdendo esse contato profundo, se acostumando a viver fora dele e a nem percebê-lo mais. Hoje, diante de tanta tecnologia, do crescimento urbano acelerado, o jardim não tem muito atrativo e não tem lugar na vida agitada das grandes metrópoles. Muitos querem que as árvores sejam cortadas e reclamam que suas folhas e flores sujam as calçadas, seus galhos atrapalham os fios e postes de luz, suas raízes danificam calçadas e ruas. Os rios e as chuvas são vistos como vilões, responsáveis pelas enchentes. Os raios solares causam câncer de pele...O que fez o homem do jardim para torna-lo tão perigoso? O que fez o homem de suas árvores, de suas águas e de seus animais? Desmatamento, poluição das águas dos rios e mares, matança de animais... são tantas espécies em extinção! O homem perdeu o contato profundo com os elementos da criação que se encontram no jardim: terra, água, fogo e ar. E sem um jardim para lavrar e para cuidar, ele procura em vão o sentido para a vida. Esqueceu-se de que, quando estamos em conexão com a maravilhosa obra da criação, estamos em conexão com Deus, com nosso eu, com o outro, com a vida e jamais estamos sozinhos. Somos presenteados, a cada dia, com momentos inesquecíveis e aprendemos que a beleza da vida não pode ser comprada nos grandes shoppings, pois nos é oferecida gratuitamente desde que tenhamos olhos para vê-la. Apesar dos maus tratos a natureza insiste em fazer-se presente em nosso dia-a-dia, através de um pássaro que voa, de uma flor que se abre, da árvore que nos oferece seus frutos, da chuva que cai molhando a terra, do vento que sopra, da água que corre dos rios em direção ao mar, do sol que nasce e se põe nos dizendo: a vida é curta! Coloquem o olhar nas coisas que realmente têm valor. Voltem ao jardim!
Voltar ao jardim, mesmo que seja por alguns instantes do seu dia atribulado, é um convite. A princípio, um convite sem graça e careta, mas irrecusável se você se dispuser, cada vez mais a caminhar em busca de SER um com o jardim!
OBS: Ganhei a Gardênia da minha querida amiga Josete Zimmer que muito tem me ajudado a vencer as barreiras da Informática. Grata, pois ela já floresceu!

sábado, 15 de janeiro de 2011

FELIZ ANO NOVO


Quero desejar para mim e para você um feliz ano novo, mas um feliz ano novo interior. Aquele que mora dentro de nós e para o qual, muitas vezes, não damos a devida atenção.
O nosso calendário interno é bem diferente dos dias, meses e anos postos numa folhinha e é ele, na verdade, que rege as nossas vidas.
Nosso calendário interno é marcado por alguns momentos registrados em nossa memória. Momentos do tempo em que éramos crianças, em que frequentávamos a escola, em que éramos jovens...Nem sempre nos lembramos do ano, da data exata, mas as marcas ficam. Marcas de momentos alegres ou tristes.
O nosso calendário interno, às vezes, nos faz viver no passado, mergulhados nas lembranças boas ou ruins.
Às vezes, nos faz viver de sonhos, num tempo que está sempre posto no amanhã e que, talvez, jamais chegará.
O nosso tempo interior, também é encantado, mágico e, por isso pode nos levar a viver num tempo de fantasia, criando um mundo fora da realidade como Neverland.
O nosso tempo interior, às vezes, nos faz viver como crianças guiadas pelo egocentrismo, querendo que o mundo todo gire ao nosso redor, ou como adultos rígidos, que já não sabem mais brincar e que se esqueceram de cuidar da criança que habita em cada um de nós.
E, nesse tempo interior, há jovens que vivem como velhos e velhos que vivem a melhor idade e que não perdem jamais a juventude da alma.
O nosso tempo interior, também, faz com que sejamos insatisfeitos com o tempo. Quando somos crianças anciamos ser adultos e quando estamos envelhecendo desejamos voltar à nossa juventude.
Às vezes, envelhecemos muito depressa fisicamente e a nossa mente ainda tem projetos e sonhos que nosso físico já não consegue realizar e, às vezes, é a mente que distoa do físico e já não consegue pensar o novo e nem sequer se lembrar do que já passou. É quando o tempo interior nos leva ao completo vazio. É simplesmente não estar em tempo algum.
E já que existe um tempo interno, creio que o ano novo só será novo, realmente, quando o nosso calendário interno estiver aberto para as boas novas, para a novidade de vida. Se esquecermos de mágoas e rancores do passado; se não insistirmos em alimentar feridas que nos marcaram. Se estivermos disponíveis para as transformações necessárias e aceitarmos o que não podemos mudar; se ousarmos realizar sonhos engavetados e projetos embolorados; se tivermos tempo para ouvir a voz do nosso coração; se vivermos o agora tendo o passado como aprendizado e não como uma prisão e o futuro como possibilidades, mas também como consequência do que construirmos hoje.
Por fim, o ano novo só será novo se tivermos tempo para refletir sobre o nosso próprio tempo interior.
Fora isso, o ano novo será apenas mais um ano posto no calendário criado pelos homens.
Que 2011 seja, realmente, um feliz ano novo para nós e que nele tenhamos tempo para cuidar do nosso tempo interior.

domingo, 7 de novembro de 2010

A SUPREMA FELICIDADE


A Suprema Felicidade:

É ouvir o sabiá cantando no meu jardim anunciando um novo dia. É ver os anuns tomando banho nas poças d’água que se formam na rua, as maritacas fazendo algazarra no alto da palmeira, o beija-flor pairando leve e breve por sobre os ibiscos e a rolinha fazendo ninho na bananeira.
É sentar na varanda e ver as nuvens fazendo desenhos nos céus, anunciando a chuva que cai, matando a sede das árvores e levantando o cheiro da terra que acolhe as sementes e as folhas. É ver o sol nascer radiante nos dias de céu azul, para se despedir no poente colorindo a imensidão do horizonte.
É ver a beleza das flores brancas da mirra e da açucena exalando seu doce perfume e da flor-da-lua, cuja brancura se faz luz para iluminar a noite e que, ao raiar do dia, adormece para não mais despertar. E da simplicidade da Maria-sem-vergonha que brota espontaneamente revestindo o jardim com suas variadas cores
É ver os ipês floridos, as sementes das tipuanas reluzindo ao sol e, depois, com as suas pequeninas flores amarelas, tapeteando o chão.
É fazer trilha no Parque Tizo até a clareira e ter participado da luta pela preservação de sua Mata Atlântica
É ver o tronco e os galhos da jabuticabeira em flor e um tempo depois colher seus frutos e desses frutos fazer licor e geléia. É colher amoras do pé e a fava do andu pra fazer farofa.
É ver meu pai plantando árvores e cuidadosamente zelando para o seu crescimento
É tomar banho de mar em praias ainda não poluídas pelos homens, com suas águas cristalinas como o paraíso de Mangue Seco.
É navegar pelas águas caudalosas do Rio São Francisco, velho Chico, no cânion do Xingo, com seus paredões de rochas avermelhadas esculpidos pela natureza margeado pela vegetação de caatinga
É assistir um bom filme, daqueles que nos faz refletir sobre a vida, viajar com o pensamento pelas páginas de um livro, ler as poesias de Fernando pessoa, Cecília e Adélia e as crônicas de Rubem Alves.
É ser Arteterapeuta e ter o privilégio de participar da trajetória de tantas pessoas a caminho da auto descoberta e realização
É cantar a vida, o amor e a dor, ouvir as canções do Roberto, Caetano e Oswaldo Montenegro.
É poder ter um tempo pra não fazer nada, só pra relaxar e deixar o pensamento voar.
É pintar, fotografar tentando eternizar os bons momentos
É caminhar apreciando os ciclos da natureza, percebendo os seus tempos descobrindo árvores e flores.
É estar com os amigos, ainda que esses momentos preciosos, estejam se tornando cada vez mais raros
É superar os momentos ruins, as doenças, as dores e dificuldades segurando firme nas mãos do Criador
É ver uma criança descobrindo as letras, desvelando o mistério das palavras, percorrendo o caminho da aprendizagem da leitura e da escrita
É conversar com Deus pelas manhãs e nas trilhas solitárias e poder contemplar a maravilhosa obra de suas mãos
Mas a Suprema felicidade também é lembrar
É lembrar dos que já partiram deixando saudades em seus momentos de felicidade, do meu irmão percutindo o atabaque e dançando forró
É lembrar dos bons tempos da discoteca, da turminha dançando Travolta e das viagens com o Dekinha
É lembrar da minha mãe contando histórias pra fazer a gente dormir e do tempo em que brincava de roda, de esconde-esconde e passa-anel na rua de terra
É lembrar das férias em Arapiraca e das tardes em Itapoã
É lembrar do primeiro namorado e do beijo escondido no portão, dos sonhos já vividos e dos que foram deixados para trás.
Mas também é sonhar novos sonhos, reinventar a vida!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fotos das sessões de Arteterapia






































Fiaflora 2009

















Em 2009, a paisagista Susette Calarezi participou da Fiaflora (Feira de jardinagem e paisagismo), com a criação de um belíssimo espaço para relaxar com materiais sustentáveis.
Foi uma honra para mim participar da composição desse espaço com uma pintura que idealizei a pedido da paisagista. Uma estrela de 8 pontas simbolizando o infinito, feita com textura e óleo sobre tela.
A pintura trouxe ao espaço o elemento fogo, dialogando com a luz da estrela no quadrado central do deque.
A idéia da pintura era de causar a captura dos olhares e, ao mesmo tempo ser um ponto transmissor de luz e energia.
Para saber mais acesse http://www.europanet.com.br/ (Revista Natureza-Edição 262-Novembro/99)

sábado, 30 de outubro de 2010

A SUPREMA FELICIDADE

Filme de Arnaldo Jabor, A Suprema felicidade, emociona por retratar o sentido da vida que todos nós buscamos. Vivemos à procura da suprema felicidade, mas será que ela existe? Sim, existe, mas não como a idealizamos, como gostaríamos que ela fosse, grandiosa e eterna. Ela é feita de instantes e esses instantes é que se eternizam e passam a fazer parte de nossas memórias.
O filme nos revela, de forma sutil, que a felicidade faz-se presente, em todas as fases de nossas vidas e é um conjunto de momentos alegres e tristes, de conquistas e derrotas, de perdas e ganhos.
A suprema felicidade de Jabor é a vida. Simplesmente a vida com todos os seus ciclos, as suas marés altas e baixas, seus encantos e desencantos.
As lembranças e as memórias de nossas histórias vividas é que constituem a suprema felicidade.
"E a vida é bonita e é bonita"!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

OFICINAS CRIATIVAS


O Projeto de Arteterapia que desenvolvo na "EMEF Teófilo Benedito Ottoni" foi sistematizado a partir da metodologia das Oficinas Criativas proposta pela Dra Cristina Dias Allessandrini do Alquimy Art.
As vivências, através da Oficina Criativa, têm uma enorme contribuição para a Arte Terapia, pois propiciam a proximidade do ser consigo mesmo, através das seguintes etapas:
1- Sensibilização: momento em que o sujeito estabelece uma relação diferenciada de contato com o mundo, apoiando-se na sensibilidade e percepção de seu eu e dos objetos que o cercam através de atividades que visam a vinculação do sujeito com a situação. Nesse momento o cliente é convidado a tocar o “si mesmo” – o seu mundo Intra e para isso as estratégias poderão apoiar-se em exercícios lúdicos, em atividades corporais, em observação dirigida ou sugerida, em construções do imaginário.
2- Expressão livre: expressão da experiência vivida, de seu pensamento e sentimento por intermédio de uma linguagem não verbal com uso de técnicas e materiais artísticos diversos: pintura, argila, desenho, etc... Nesse momento o sentimento eclode como imagem interna e toma forma.
3- Elaboração da expressão: quando ocorre o aprimoramento da linguagem escolhida pelo cliente que “re-elabora” ainda de forma não verbal, o conteúdo emergente nas etapas anteriores retrabalhando as figuras e formas, dando-lhes mais contornos, linhas e cores.
4- Transposição para a linguagem verbal: há um “re-significar” do processo e a imagem interna sugere a criação de mensagens e textos e pensamentos, poemas e histórias podem ser escritos.
5- Avaliação: retomada do processo que permite a conscientização e percepção crítica do indivíduo na aquisição de novos conhecimentos. É o tempo de olhar e poder “re-ver” cada etapa, re-elaborando conteúdos ainda não explicitados, ou avaliando a dimensão de significado simbólico da totalidade da experiência vivida.
(ALLESSANDRINI,1996 p.41 a )


As Oficinas Criativas também foram por mim utilizadas nos Grupos de Formação para os professores na própria escola, favorecendo ampliando a percepção e possibilitando a manifestação das diferentes formas de expressão.